Vinhos Tintos

A Degustação dos Vinhos Tintos

Os vinhos tintos são obtidos com a fermentação do mosto (sumo) de uvas tintas em contato com as cascas. Ao contrário dos vinhos brancos e dos vinhos rosés, os vinhos tintos são caracterizados pela presença de polifenóis ou taninos (1 - 3 g/l). Essas substâncias integram-se ao vinho logo após a vinificação com as cascas e são responsáveis pela cor tinta e pela adstringência. O tanino não só exerce influência sobre a cor, os aromas e o gosto do vinho, mas sobre a estrutura e o corpo principalmente.

Portanto, baseados em seus componentes, podemos ter um vinho tinto ligeiro, de cor muito clara e pouco tânicos, vinhos tintos de médio corpo e vinhos tintos robustos e adstringentes, aptos também a um longo envelhecimento.

Os vinhos tintos devem ser consumidos sempre a uma temperatura entre 18° - 20° graus C. A temperatura é muito importante para que possamos perceber todos os aromas e sabores que o vinho tem a nos oferecer. Se a temperatura estiver acima da indicada, os aromas mais frutados passam desapercebidos. Em contrapartida, se a, temperatura estiver muito abaixo da indicada todas as nuanças de aromas desaparecem e ficamos com um vinho extremamente tânico e adstringente. Outro componente que é influenciado pela temperatura é o álcool, que fica muito mais ameno e agradável quando degustamos um vinho tinto na temperatura correta.

O exame da cor do vinho tinto é o primeiro passo na degustação. Ela pode nos dar uma idéia da idade do vinho e o que podemos esperar desse vinho tanto no nariz quanto na boca. Os agentes responsáveis por isso são os antocianos, os polímeros antocianos-taninos e os taninos. Nos vinhos jovens apenas os antocianos são os responsáveis pela cor: portanto esses vinhos apresentam uma tonalidade vermelha rubi ou vermelha púrpura viva, brilhante, principalmente se o vinho possuir uma certa riqueza de acidez. Os antocianos tendem a diminuir com o tempo, sofrendo ação químico-física, enzimática e, sobretudo por polimerização. Os grandes polímeros sendo insolúveis precipitam. Com o tempo os taninos se oxidam e mudam de cor, assumindo uma tonalidade amarela e depois amarela-alaranjada e até alaranjada. Portanto os vinhos envelhecidos assumem uma tonalidade vermelha alaranjada ou vermelha atijolada derivada da fusão das cores dos antocianos residuais e do amarelo dos taninos oxidados.

Os aromas dos vinhos tintos dependem de diversos fatores: desde a variedade de uva utilizada e o método de vinifícação (com maceração breve ou prolongada) ao tipo de conservação e afinamento (tanques de aço inox ou barris de carvalho).

Os vinhos tintos bem jovens, os tintos leves e prontos para consumo baseiam sua qualidade, sobretudo no frescor e fragrância dos aromas frutados. Esses vinhos apresentarão aromas de flores vermelhas (rosa, violeta) e de frutas (morango, framboesa, amora, cereja, pêssego) com notas às vezes de baunilha ou de.vegetais. Por exemplo, o Cabernet Franc, o Cabernet Sauvignon e o Merlot quando jovens apresentam aromas herbáceos mais ou menos acentuados devido aos aromas primários de cada variedade.

Os vinhos produzidos a partir de maceração carbônica possuem aroma frutado muito pronunciado: entre os aromas mais facilmente reconhecidos citamos os de banana, cereja, amora e framboesa. Podem apresentar também aromas lácticos e florais.

Os vinhos envelhecidos em grandes tonéis ou barris de carvalho revelam aromas mais ricos e complexos e o bouquet bem definido, também conhecido como aroma terciário. Estes aromas se apresentam mais pungentes ou etéreos, com notas de madeira ou especiarias (baunilha, cravo, pimenta, canela), vegetais (húmus, trufas, musgo) ou minerais.
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