"Merecido na
vitória e necessário na derrota"
Napoleón ler
Histórico
Provavelmente o vinho e a região vinícola
mais conhecido do mundo, sinónimo de festa, alegria
e consagração.
Em todas as ocasiões sentimos esse arrepio de felicidade
quando salta a rolha e que o vinho de cor dourada pálida
e voluptuoso libera suas mais finas borbulhas nas taças.
Na origem, o vinho elaborado na Champagne não era
espumante, e concorria com os vinhos da Bourgogne. Nascido
acidentalmente no século XVII, foi aperfeiçoado
por um monge Beneditino, Dom Pérignon, que revolucionou
as técnicas de vinifícação:
uso de garrafas mais fortes para resistir à pressão,
tampa de cortiça e assemblage de diferentes safras
tornando um vinho comum em verdadeiro "milagre da natureza".
Produção
O Champagne
é produzido a partir de três cepas: CHARDONNAY
(uva branca), PINOT NOIR e PINOT MEUNIER (uvas tintas). As
três uvas têm papel diferente: A CHARDONNAY é
responsável pelo frescor e pelas características
aromáticas; a PINOT NOIR confere corpo, estrutura e
longevidade; a PINOT MEUNIER tem o papel de harmonizar o assemblage,
amenizando as características muito marcantes das duas
outras uvas.
Quando o Champagne é produzido apenas com uvas brancas
é denominado Blanc de Blancs; quando a produção
é toda feita com as duas uvas tintas, o Champagne é
reconhecido como Blanc de Noirs.
As uvas são colhidas à mão e encaminhadas
para os centros de prensagem. A prensagem é lenta
e suave para evitar que o mosto seja manchado pela casca
das uvas vermelhas. Como a colheita e a prensagem, a
vinificação geralmente é feita
separadamente por colheita e por qualidade de uva. O
mosto clarificado transforma-se em vinho sob ação
de leveduras. Após esta primeira fermentação
alcoólica, segue-se a fermentação
malolática, que suaviza o vinho e em dezembro
os vinhos são estabilizados. Os enólogos
se reúnem para compor as assemblages a partir
dos vinhos do ano e dos vinhos de reserva, em proporção
variável. Quando a colheita é de qualidade
excelente, decide-se criar uma cuvée excepcional,
composta unicamente com vinhos do ano. O vinho é
engarrafado com leveduras e um composto de açúcar
e vinho-base, o liquer de tirage, e começa a
segunda fermentação para criar espuma
e formar o perlage (prise de mousse). Esse processo
tem duração de quatro a oito semanas.
Logo após este processo o vinho pode ficar em
contato com as leveduras por um período mínimo
de quinze meses. Quanto maior for esse contato, que
pode durar anos, os aromas se desenvolvem e tornam o
Champagne cada vez mais complexo. O vinho fica efervescente
e forma-se um depósito de sedimentos devido às
leveduras mortas. É por isto que se procede a
remuage. As garrafas são colocadas na posição
horizontal em pupitres e diariamente, durante 30 - 40
dias, recebem rotações, levando-a progressivamente
à posição vertical. O sedimento
desce para o gargalo e acumula-se em uma tampa especial
(bidule). Procede-se a seguir o dègorgement:
o gargalo é congelado a -30° C em segundos,
formando uma pedra de gelo. Basta então destampar
a garrafa para que esta pedra de sedimentos congelada
seja expulsa pela pressão.
Vem então a dosage,
adição do liqueur d'expédition à
base de açúcar e vinho-base que permite realizar
as diferentes variedades como vemos abaixo:
Pás dose ou Dosage
zero
sem adição
do liquer d'expedi tion
Extra Brut
até 6 gramas
por litro
Brut
até 15
gramas por litro
Extra séc ou Extra
dry
entre 15 e 20
gramas por litro
Séc ou dry
entre 20 e 35
gramas por litro
Demi-sec
entre 35 e 50
gramas por litro
Doux
acima de 50 gramas
por litro
As
garrafas recebem a rolha de cortiça e são
lacradas. Depois descansam durante pelo menos três
meses para que os aromas e sabores sejam perfeitos e
homogêneos. Uma vez colocados cápsula e
rótulo, as garrafas estão prontas para
seguirem o mundo inteiro.
O prazer de
beber champagne
Para
escolher, abrir e beber Champagne, é necessário
seguir algumas regras, pois a bebida, além de muito
elegante, é extremamente delicada. O pecado mais comum
cometido está na maneira - diga-se de passagem, errada
- de segurar a flute (copo alto e estreito adequado para beber
champanhe). O correto é segurá-la pela haste
ou pela base, jamais pelo bojo, porque, além de deselegante,
tira a visão do perlage e acelera o seu aquecimento
- e o champanhe tem de ser saboreado gelado. Para aumentar
o seu prazer em beber Champagne, alguns cuidados são
indispensáveis, como:
1
Escolher
O tipo brut é o mais encontrado, o demi-sec é
o mais suave (doce). O serviço deve ser feito com um
balde
de gelo, uma flúte ou uma taça de cristal transparente
e um guardanapo de pano.
2 Resfriar
Resfrie a garrafa dentro de um balde com pedras de gelo e
água gelada. Em aproximadamente 30 minutos, a bebida
atingirá a temperatura ideal de 4°C a 6°C,
se for demi-sec, ou de 6°C a 8°C, caso seja o brut.
Em nenhuma hipótese, coloque a garrafa no congelador
- o resfriamento brusco afeta o seu aroma e sabor - e nem
pedras de gelo dentro da flúte.
3 Abrir
Retire a cápsula sobre a rolha e desenrole o filamento
de metal que a prende. Com a outra mão, aperte-a contra
o gargalo como medida de segurança, porque às
vezes a pressão interna da garrafa poderá expelir
a rolha violentamente. Jamais sacudir a garrafa antes de abri-la
- deixe essa prática apenas para os campeões
de Fórmula l. Segure-a firmemente logo abaixo do gargalo
e incline-a 45°, isto facilitará a abertura da
garrafa.. Com a outra mão, segurando firmemente a rolha,
gire-a no sentido horário (a rolha subirá lentamente).
Retire a rolha silenciosamente.
4 Servindo
Segure a garrafa pela base e sirva o Champagne lentamente.
Deixe que a espuma alcance a borda da flúte e pare
de servir. Assim a dose será pequena para que o vinho
se mantenha na temperatura ideal.
5 Analisar
Segure a flúte pela haste, jamais pelo bojo. Será
mais cómodo para analisar o visual da bebida, além
de mais confortável para toma-la. Antes de saboreá-la,
incline a flúte contra um fundo branco (a toalha da
mesa, por exemplo). Os Champagnes apresentam diversas tonalidades
de cor, que vão do amarelo-claro ao amarelo-ouro. Os
melhores exibem na flúte uma quantidade maior de pequenas
bolhinhas de gás, intensas e persistentes.
6 Saborear
Sem movimentar a flúte, aspire o perfume. Os aromas
mais leves aparecem imediatamente. Em seguida, agite levemente
a bebida submetendo-a a uma suave rotação, em
intervalos regulares. A cada interrupção, aspire
o Champagne. Os aromas mais complexos irão surgindo.
7 Degustar
Dê o primeiro gole. Deixe a bebida em contato
com a boca antes de engolir. No demi-sec, inicialmente,
sente-se um gosto açucarado na ponta da língua,
já no brut, a acidez é mais acentuada
nas bordas da língua. O Champagne é um
vinho de dupla fermentação e acidez pronunciada
(típica do Champagne), por isso torna-se refrescante.
A primeira delas vem do vinho-base e a segunda, do gás
carbônico. Os outros dois sabores básicos,
como o salgado e o amargo, raramente são encontrados.
8 Beber
Mantenha um gole na boca e aspire um pouco de ar através
dos lábios semi-abertos. O calor da boca volatiza
o vinho, faz seus aromas subirem diretamente para a
cavidade nasal. Engula. A sensação que
perdura é chamada de retrogosto. Uma longa persistência
denuncia um Champagne de qualidade. Ao ficar vazia a
flute, aspire novamente. Quanto melhor o Champagne,
mais longo será a persistência do seu aroma
final.
Combinações
Podemos
considerar o Champagne Brut como o "rei" dos
aperitivos, enquanto seu perlage de gás carbônico,
seu baixo grau alcoólico, o delicado frescor
e os aromas elegantes abrem o apetite preparando olfato
e gosto aos prazeres da mesa.
O Champagne, nas diferentes tipologias, pode acompanhar
uma refeição inteira de alta classe. Entradas
de frutos do mar, carpaccio de peixe, mousses, patês
e as delicadas receitas da cozinha oriental, são
exaltadas por um Champagne Brut, mesmo que não
Millesimé. Iguarias de caviar e ostras necessitam
de Champagne Brut mais complexos e ricos como as Cuvées
especiais produzidas pelas principais casas, por exemplo,
Comte de Champagne (Taittinger), Grand Millesimé
Celebris (Gosset), Dom Pérignon (Moet & Chandon),
La Grande Dame (Veuve Clicquot Ponsardin), entre outros.
Os Champagnes Roses, mais encorpados e estruturados, casam-se
muito bem com carnes, aves, caça de pluma e queijos
pouco curados e delicados.
Sobremesas e frutas precisam de Champagnes demi-sec ou doux
aromáticos e elegantemente suaves.
Os Diferentes
formatos
Podemos encontrar
o Champagne em garrafas de diferentes capacidades.