A Vinha,
do gênero botânico Vitis, é uma das mais
antigas plantas cultivadas.
Desde muito cedo, o homem inventou o vinho que, desde os primórdios
da civilização até os nossos dias, iria
acompanhar os grandes acontecimentos da existência humana:
vinhos das cerimônias religiosas, vinhos das comemorações,
mas também vinho curativo, calmante ou desinfetante.
As mais antigas civilizações conheciam o vinho,
cuja origem se situa provavelmente na Pérsia, na Mesopotâmia
e nas regiões do Cáucaso, aonde a vinha já
era cultivada há seis mil anos antes de Cristo. Há
três mil anos a.C. os Egípcios e mil anos depois,
os Fenícios, produziam e gostavam do vinho e, em época
posterior (1000 a.C.), os Gregos e sucessivamente os Romanos
(500 a.C.), apreciavam vinhos espessos e fortemente alcoólicos,
preparados geralmente com numerosas especiarias, mel ou ervas
e sempre servidos misturados com água, às vezes
também com água do mar. Não há
como saber que sabor devia ter, mas é de supor que
não fosse grande coisa. Com certeza o vinho era muito
difirente do produto que nós conhecemos.
Os
Gregos, colonizando o Mediterrâneo e o sul
da Itália (Sicília, Calábria,
Puglia), promoveram o cultivo da videira, assim
como os Etruscos na Toscana e no Lazio. Os Romanos,
durante suas conquistas, espalharam a "cultura"
da vinha no norte da península, na França,
Espanha, Portugal, Áustria e Alemanha.
No princípio
do século IV, o imperador Constantino, reconheceu oficialmente
a religião cristã, e a necessidade de vinho
para a missa, favoreceu a plantação dos vinhedos.
O desenvolvimento da vinha foi concomitante com a implantação
dos mosteiros e das Grandes Ordens religiosas. Os Beneditinos,
em particular, desempenharam um papel importante na expansão
da viticultura e na sua conservação, quando
os Bárbaros invadiram e destruíram o Império
Romano do Ocidente e, sucessivamente, na Idade Média.
A partir dos séculos XIII e XIV, a explosão
demográfica e o desenvolvimento do comércio,
provocaram o crescimento do consumo do vinho.
Mais tarde, no século XVIII, a popularização
da garrafa e da rolha de cortiça, permitiu a ramificação
das redes de distribuição até os locais
de consumo.
Simultaneamente, proprietários e negociantes
substituíam os religiosos e os aristocratas:
inicia-se a indústria do vinho.
Foi então que apareceu a crise da filoxera,
minúscula pulga originária da América.
Detectada a partir de 1864, destruiu quase a totalidade dos
vinhedos da Europa. Tudo indicava que seria o fim da era do
vinho, mas a videira sobreviveu. Para resistir a esta praga,
recorreu-se ao enxerto sobre videiras originárias da
América, que resistiam às picadas do inseto.
Hoje a totalidade dos vinhedos europeus é constituída
por videiras enxertadas.
Existem milhares de variedades de videiras, ou castas, pertencentes
à espécie européia Vitis vinifera. Contudo,
as castas que produzem bons vinhos, são cerca de duzentas.
Cada casta possui características próprias,
permitindo sua adaptação ao clima e ao solo.
As
aptidões tecnológicas, tais como a cor
dos bagos e a qualidade do mosto, são primordiais
em enologia. Variam em função do clima
do ano, da natureza do solo, da sua riqueza agronômica
e da conduta da videira. Uma mesma casta cultivada em
terrenos diferentes dá origem a vinhos diferentes.
Além disso, cada casta traz ao vinho aromas e
paladares que lhe são próprios.
A adequação
casta-terreno condiciona a qualidade e a tipicidade da produção.
As observações atentas e repetidas dos viticultores
ao longo dos séculos, permitiram a seleção
das castas melhores adaptadas a cada região.
O ciclo vegetativo da vinha tem início na primavera,
quando a temperatura do ar atinge cerca de 10ºC.
Quando os botões começam então
a nascer, é a floração, depois
aparecem as primeiras folhas e o ramo inicia seu crescimento.
Durante dois meses, desenvolve-se a floração.
A Floração e a fecundação
têm lugar até o final deste período.
Nos dias seguintes à floração observa-se
a formação dos bagos. Os bagos desenvolvem-se
durante os meses de julho e agosto, período de
crescimento da vinha. Assiste-se então à
coloração: a película das uvas
vermelhas colora-se, enquanto a das uvas brancas perde
sua cor verde. É o início da maturação.
Quando os bagos atingem a maioridade, podem começar
as vindimas. Este estágio de maturidade caracteriza-se
por uma acumulação de açúcares
(glicose e frutose) no sumo dos bagos, uma diminuição
da acidez e a presença de aromas. Os viticultores contam
geralmente com 90/100 dias entre o início da floração
e o fim da maturação. A queda das folhas, no
fim do outono, marca o início do repouso vegetativo.