Quando nasceu esta ciência, ninguém sabe ao certo. Talvez na aurora do tempo da própria humanidade. Mas sabemos que foi esquecida e redescoberta diversas vezes durante o desenvolvimento de nossa história.
Recentemente, foi redescoberta por naturalistas radicais alemães. Ainda mais recentemente, neste mesmo século, foi desenvolvida por diversos pesquisadores pioneiros norte-americanos, que descobriram que se alimentar de acordo com as Leis da Natureza é uma maneira muito eficaz de harmonizar o homem com seu potencial verdadeiro.
Cozinha Viva da Terra Dourada
Explicar o que é Alimentação Viva para quem não conhece é como tentar descrever o Havaí para quem nunca foi à praia. Assim sendo, desenvolvemos um modelo de ensino que procura transmitir, de maneira agradável, um novo paradigma alimentar.
http://www.guiavegano.com/cru/index.htm
Alimentos vivos
Técnica culinária usa produtos crus, orgânicos e funcionais, deixando de lado processos de industrialização e de cozimento, para a prevenção de doenças e preservação da saúde.
Você já experimentou leite da terra, suco do Sol, pão dos essênios e musse de rosas? Não? Então, venha e esqueça o árido estilo da alimentação contemporânea. Nada de fast food, microondas e freezer, pesticidas ou aditivos químicos, pois um novo conceito de alimentação está ganhando adeptos em todo o mundo: a culinária viva, vega ou crudivorista, uma dieta à base de alimentos vegetais in natura, que não passam pelo processo de industrialização ou de cozimento.
É o que mostra o médico gastroenterologista carioca, Alberto Peribanez Gonzalez, de 45 anos, formado em medicina pela Universidade de Brasília (UnB), mestre e doutor pelo Instituto de Pesquisa Científica de Munique, na Alemanha, e autor do livro Lugar de médico é na cozinha, lançado pela editora Universidade Estácio de Sá, onde ele é professor de fisiologia cardiovascular.
Para conhecer as idéias do médico, é preciso visitar um casarão histórico de três andares, na Lapa, na zona boêmia do Rio de Janeiro. Num dia de chuva fina, sob os arcos da Lapa, com pequeno restaurante logo na entrada e uma cozinha, que é espécie de laboratório vivo, onde ele desenvolve técnicas culinárias para que os alimentos funcionais, orgânicos, germinados e crus possam ser assimilados por famílias de todas as classes sociais, na prevenção de doenças e preservação da saúde.
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"Os alimentos vivos dispensam os processos de industrialização e de cozimento. " |
Na mesa posta do bistrô, o almoço começa a ser servido: salada verde, com chicória, alface, abacate, tomate e uva passa. Em seguida, vem a cevadinha, sopa, verduras amornadas e uma sobremesa que não leva açúcar, mas encanta o paladar. O leite da terra, com água de coco e castanhas é um néctar dos deuses.
Ao fundo, os cozinheiros Arzhel Racine, um francês de 24 anos; Ana Luiza da Silva, de 35, de Maceió; e outros alunos que são considerados pelo médico como agentes de saúde, pois estão ajudando a divulgar a alimentação viva.
Na bancada da cozinha, germinam brotos de girassol e de trigo. Uma velha geladeira, que funciona no frio mínimo, guarda legumes, hortaliças, ervas frescas e frutas de todas as cores e sabores. O azeite extravirgem é o único usado no preparo dos alimentos. Assim, nenhuma gordura saturada vai ficar colada nas paredes da cozinha ou das artérias do coração. E, como não há cozimento, os nutrientes são inteiramente preservados.
Por instantes, Alberto sobe as escadas até a laje da casa, onde está preparando o pão dos essênios, cuja receita foi ensinada por Jesus Cristo e retirada dos manuscritos do Mar Morto. Como Hipócrates, o pai da medicina, Alberto Gonzalez, acha que o alimento é um dos caminhos da cura, o melhor remédio. E veste o avental para ensinar 88 receitas de alimentos crus e fáceis de preparar. Mas vai logo avisando: “Sou um médico normal. Em minhas consultas, o que muda é a prescrição”.
A ciência vem confirmando o que nossas avós e bisavós sempre souberam: alimentação saudável e fresca faz a gente viver mais e melhor. Mostramos um jeito diferente de comer: a culinária viva, que usa basicamente alimentos crus e grãos germinados.
Alimentos crus
Tenho 85 anos. Exerço a medicina há 20 anos em Arosa, Suíça. Meu pai era médico rural e conheci os limites da medicina convencional convivendo com doenças crônicas já na minha juventude. De constituição bastante frágil, procurava ampliar as possibilidades da medicina convencional com métodos alternativos. Hoje, considero alimentação e jejum os mais importantes.

"Dietas com base em frescas obtiveram resultados
surpreendentes curando pacientes com doenças
como, diabetes e esclerose múltipla.
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O famoso médico suíço, Dr. Max Bircher-Benner (1867-1993), ouviu falar dos incríveis efeitos da alimentação crua. Experimentou e ficou perplexo com o resultado. Naquela época, todas as crianças com doença abdominal morriam.
A clínica pediátrica do Hospital Universitário de Zurique encaminhou quatro crianças ao Dr. Bircher-Benner. Retornaram curadas. Sua alimentação consistia, principalmente, de bananas frescas, depois substituídas por maçãs frescas, com o mesmo resultado. Também as crianças diabéticas foram beneficiadas com uma dieta exclusiva de frutas frescas.
O Dr. Bircher-Benner apresentou ao Dr.Joseph Evers, na Alemanha, três pacientes que ficaram livres de esclerose múltipla, uma doença considerada incurável. O Dr. Evers começou, então, a tratar pacientes portadores de esclerose múltipla e outras doenças consideradas incuráveis, com resultados surpreendentes. Em reunião da Associação Alemã de Neurologia, o Dr. Evers apresentou suas radiografias e a estatística, mostrando que — ao iniciar a alimentação com frutas e verduras frescas dentro do período de um ano após o aparecimento dos sintomas — 94% dos portadores de esclerose múltipla ficavam curados.
O Dr. Evers, falecido em 1975, não utilizava medicamentos, somente alimentação. Em seu livro "Warum Evers-Diät?" (Porque a dieta Evers?), ele afirma: "O sucesso é a melhor prova de que uma teoria está correta."
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O Dr. Honekamp, diretor clínico de uma clínica psiquiátrica alemã, documentou, em seu livro sobre a cura de doenças mentais com produtos naturais, como conseguiu curar pela alimentação crua, com poucas exceções, os pacientes internados em sua clínica. Entretanto, ele mostrou que a esquizofrenia crônica só pôde ser curada após quatro anos.
Tudo foi esquecido até recentemente, quando o físico Fritz Popp descobriu que os nutrientes vivos irradiam fótons. Essas pequenas partículas de luz aparentemente protegem o sistema imunológico e destroem células cancerígenas. Quando aquecemos os alimentos vivos, a irradiação se torna muito forte e depois cessa — os alimentos estão mortos. No livro "Biologie des Lichts" (Biologia da luz), publicado em 1984, ele descreve os princípios da irradiação extremamente fraca das células.
Uma enfermeira do hospital da Universidade de Zurique estava morrendo. Anos antes, haviam-lhe retirado um tumor maligno da mama. Mais tarde, apareceram metástases no fígado. Quando o tumor reapareceu por uma terceira vez, após duas quimioterapias, acreditavam que nada mais poderia ser feito. Era Natal e seus amigos vieram despedir-se dela. Uma amiga lhe falou da alimentação crua e logo trouxe frutas e hortaliças frescas. No dia seguinte, a enfermeira já pôde deixar a alta dose de morfina que estava tomando contra as dores e levantar. A cada dia, ficava de pé durante mais tempo.
Como podemos explicar este efeito imediato sobre tumores malignos? A pesquisadora em oncologia, Virginia Livingston, de San Diego, EUA, descreve em seu livro "The Conquest of Cancer" (A conquista do câncer) que os alimentos vivos, as frutas e as hortaliças contêm um ácido, um sub-produto da vitamina A, que também é produzido no fígado. Essa substância freia o câncer, mas é sensível ao calor. Cenouras cozidas no vapor só contém 1% a 2% da quantidade do ácido que as cenouras cruas contêm.
Recomendo aos pacientes em minha clínica — e eu mesmo me alimento desta forma:
• Comer apenas o que nasce na natureza.
• Disso, só comer aquilo que temos vontade, apenas na quantidade que o corpo pede e quando sentimos fome.
• Consumir os alimentos assim como a natureza nos oferece, sem misturar, sem temperos, sem aquecer.
• Sempre que possível, comer os alimentos isentos de agrotóxicos e adubos químicos.
Como podemos saber se uma fruta é saudável ou prejudicial? Só nosso instinto pode nos dizer isso. Cada ser vivo tem sua voz interior, inclusive as bactérias e os vírus. O ser humano é o único ser vivo que não segue sua voz interior, nós nos achamos superiores. Porém, se não seguimos esta voz, surge o efeito contrário, o vício. O adulto é viciado no fumo, em alimentos desnaturados, cozidos etc. Após um jejum, estes vícios desaparecem. O instinto, a voz interior, está de volta, como em um recém-nascido.
Se comemos alimentos cozidos, há um aumento dos glóbulos brancos após a refeição — como se tivéssemos ingerido veneno. Nosso sistema imunológico, neste caso, está ocupado de manhã até a noite enfrentando os tóxicos que introduzimos com a alimentação aquecida, em vez de se defender contra germes e destruir células cancerígenas.
Ao dar alimentação cozida para animais selvagens, saudáveis — como fizeram Mac Carrison na Inglaterra e o Prof. Kollath na Alemanha — estes adoecem com nossas doenças da civilização e morrem. Se acrescentamos vitaminas da farmácia, morrem alguns dias mais tarde. Entretanto, se os colocamos em liberdade para que voltem a se nutrir com alimentos vivos, seguindo o seu instinto, eles se recuperam. O mais interessante: animais, antes dóceis, tornam-se agressivos com nossa alimentação desnaturada e se agridem.
Fonte: Palestra apresentada durante o Congresso Vegetariano em Widnau, Suíça, 1999
http://www.taps.org.br/Paginas/crudiartigo07.html
Lugar de médico é na cozinha
Livro traz história e receitas da culinária viva..
No lugar do jaleco, um avental. É vestido de cozinheiro que o médico carioca Alberto Peribanez Gonzalez receita os remédios para curar seus pacientes. Da mistura de frutas, cereais e sementes saem pratos com poder medicinal. Os alimentos são aproveitados in natura sem perder os nutrientes e sem adição de componentes tóxicos.
Doutor pelo Instituto de Pesquisa Cirúrgica de Munique e membro da Sociedade Alemã de Cirurgia, Gonzalez testa receitas há quatro anos. "É um trabalho de investigação. Observo texturas, sabores, a consistência dos alimentos", diz. O resultado das experiências resultou no livro "Lugar de médico é na cozinha", um manual com dicas sobre o uso dos alimentos no combate de doenças repleto de receitas para manter o corpo saudável.
Tudo começa com a busca pela cura. "Quem está em paz com o corpo encontra equilíbrio pessoal. No geral, as pessoas não dão importância para o que comem e aí está o grande equívoco. A ingestão maciça de fast-food só contribui para altos índices de obesidade e diabetes", alerta o médico.
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"Lugar de médico é na cozinha é um manual sobre o uso dos alimentos no combate de doenças." |
Segundo dados do IBGE, o maior índice de obesidade do país está entre as garotas que vivem nos grandes centros urbanos. Cerca de 2% dos adolescentes brasileiros são considerados obesos, sendo 1,8% meninos e 2,9% meninas. Os casos mais freqüentes ocorreram entre garotas do Sudeste urbano (4%) e a menor entre meninos do Nordeste rural (0,2%).
Em uma oficina de sobremesas realizada no restaurante Vida, em Ondina, Alberto preparou doces sem açúcar, manteiga, leite condensado ou outros ingredientes comuns no preparo das iguarias. O sabor adocicado é extraído diretamente da fruta sem utilizar nem mesmo o fogão para preparar os pratos.
Na base das receitas está a água de coco. Ingredientes como castanha-do-pará, amendoim, linhaça, tâmara, uva-passa e nozes ficam de molho na água de coco antes de virar sobremesa. "O coco vai bem em pratos doces e salgados. Faz muito bem à pele, possui ácido láurico que e é bastante eficaz no combate dos fungos, além de ser fácil de encontrar em qualquer lugar do país a preço acessível", explica o médico.
Com o auxílio de um liquidificador, Gonzalez dá forma e sabor a sobremesas como o tradicional musse de maracujá. Mas, diferente do que muitos podem imaginar, a base do doce vem de uma outra fruta: a manga. "Misturada com linhaça banhada em água de coco dá aquela textura da gelatina. O maracujá acrescentamos para dar o gosto da sobremesa", ensina. Já o sabor do açúcar é substituído pela uva-passa. Adiciona-se também uma pitada de salsa e em 15 minutos o musse está pronto para ir à geladeira. O segredo, segundo o médico, é não bater a linhaça. "Assim se evita o sabor cítrico", diz.
Apesar de não ser popular na culinária baiana, a linhaça apresenta alto poder medicinal para o corpo das mulheres. Possui substâncias que previnem o câncer de mama e de útero, pode ser utilizado como agente regulador do ciclo menstrual além de oferecer suporte ao sistema ginecológico no período da menopausa. "Considero a linhaça a semente da mulher. É útil desde o nascimento até o fim da vida", resume.
O apreço pela culinária é uma herança familiar. Descendente do povo basco, Alberto Gonzalez nunca teve receio de assumir as tarefas da cozinha. "Entre os bascos quem faz a comida é o homem",conta. Bom de boca, o médico faz questão de provar tudo o que faz. "Ninguém precisa deixar de comer doces. O importante é se livrar das gorduras hidrogenadas e do açúcar refinado", alerta.
No Rio de Janeiro, onde mora com a família, costuma organizar festas infantis com cardápio medicinal. "Organizo um buffet. Troco o refrigerante por extrato de tangerina com água de coco e outros sucos. E no lugar do brigadeiro entra uma mistura de tâmaras com caju", conta. A eficácia medicinal é garantida, já o sabor fica por conta do paciente.
http://www.unimedfs.com.br/noti1.php?cod_noti=346&tip_noti=5

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